Conferências Acesso Aberto, 3ª Conferência Luso-Brasileira sobre Acesso Aberto

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POLÍTICAS INSTITUCIONAIS PARA IMPLANTAÇÃO DE REPOSITÓRIO DE RE-CURSOS EDUCATIVOS: ASPECTOS PRINCIPAIS NA PERSPECTIVA DO MOVI-MENTO DE ACESSO LIVRE.
Nysia Oliveira Sá

Última alteração: 2012-09-20

Resumo


III CONFERÊNCIA LUSO-BRASILEIRA DE ACESSO LIVRE

1 e 2 de outubro de 2012 · Universidade Nova de Lisboa · Portugal

 

Esta proposta está a ser submetida como

[x] Comunicação Oral                          

 

POLÍTICAS INSTITUCIONAIS PARA IMPLANTAÇÃO DE REPOSITÓRIO DE RECURSOS EDUCATIVOS: ASPECTOS PRINCIPAIS NA PERSPECTIVA DO MOVIMENTO DE ACESSO LIVRE.

 

Nysia Oliveira de Sá (Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação/ Faculdade Administração e Ciências Contábeis/Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil, nysia@facc.ufrj.br)

 

As inúmeras transformações promovidas pelas tecnologias de informação e comunicação (TIC) têm levado a área de educação a repensar suas práticas educacionais. Notadamente no que se refere ao processo de ensino e de aprendizagem percebe-se avanço significativo na criação e no uso de recursos educativos eletrônicos tanto no âmbito nacional quanto no internacional.

A busca por esses recursos se constitui, no entanto, em tarefa complexa, por um lado pela sua diversidade (imagens, fotografias, textos, multimeios) e, por outro por se encontrarem dispersos na web ou  depositados em instituições educacionais, dificultando o acesso.

 

Nessa perspectiva, os recursos educacionais abertos (REA), expressão introduzida e promovida pela UNESCO (2002) se refere “ao acesso aberto de recursos educacionais, mediados por tecnologias de informação e comunicação para consulta, utilização e adaptação por uma comunidade de usuários para fins não comerciais”.

Ao ampliar esse conceito baseado nos princípios do movimento de acesso livre os repositórios de recursos educativos livres (RREL) devem disponibilizar o conteúdo sem restrições de acesso na web.

 Alguns fatores que levam instituições educacionais a se envolverem com projetos dessa ordem, de acordo com análise da OECD (2008) são: o compartilhamento do conhecimento está de acordo com as tradições acadêmicas, as instituições educacionais financiadas com recursos públicos podem reduzir o custo para desenvolvimento do conteúdo graças a distribuição e reutilização e a distribuição compartilhada livre acelerará o desenvolvimento de novos recursos de aprendizagem.

A implantação de RREL se constitui em processo complexo tanto em termos operacionais quanto de estruturação por envolver professores, alunos e especialistas de diferentes áreas. Assim, se faz necessária a elaboração de política institucional para definir conjunto de diretrizes que possibilitem o desenvolvimento do projeto.

Entretanto, a maioria dos estudos desenvolvidos sobre RREL se restringem às questões técnicas como adoção de padrões internacionais para metadados, interoperabilidade, softwares específicos para gerenciamento dos recursos educativos, suas características, funções e aplicabilidade. Ainda são escassas (CARDOSO, 2009; MATKIN, 2002) pesquisas que analisem o contexto institucional e estudem o comportamento dos professores e pesquisadores bem como suas necessidades e interesses, tendo em vista que são esses que, prioritariamente, vão alimentar o repositório.

Assim, a proposta desse trabalho é apresentar, a partir de levantamento bibliográfico, os principais aspectos a serem considerados na elaboração de política institucional para implantação de RREL.

Os baixos índices para alimentação dos RREL (OECD, 2008; BATES et al, 2006; CARDOSO, 2009) apontados por essas pesquisas incluem desde o desconhecimento do repositório, pouca destreza no uso de recursos digitais até falta de tempo para essa atividade.

A opção pelo compartilhamento é outra questão complexa, pois são inúmeras as razões que levam os professores a aceitarem ou não disponibilizar material na web como desconhecimento quanto aos direitos de propriedade intelectual.

No que se refere ao processo de auto arquivamento existem opiniões divergentes; enquanto alguns especialistas entendem que as submissões devem ser voluntárias, outros acreditam que essa atitude não seria suficiente para alimentar o repositório especialmente nas universidades e outras instituições de ensino superior. (OLCOS, 2007)

A reutilização que é característica essencial de um recurso educativo deve ser construída adotando-se metadados para possibilitar sua descrição e recuperação e outro recurso importante é a interoperabilidade, tendo em vista a possibilidade do uso em diferentes sistemas.

No que tange a preservação e a manutenção dos recursos educativos em longo prazo os esforços atuais ainda não contemplam todos os aspectos que envolvem essa questão. Considerando-se a velocidade do avanço tecnológico são escassas as instituições, de acordo com a OECD (2008), que parecem estar desenvolvendo estratégias de modo que daqui há dez, cinquenta anos professores e alunos possam acessar esses recursos.

Assim, as instituições durante o processo de concepção da politica institucional para desenvolvimento de RREL devem ter como uma premissa a importância do envolvimento de professores, alunos, bibliotecários, técnicos entre outros, constituíndo para tanto equipes de trabalho multidisciplinares.

 

A compreensão de que a estrutura dessa política deve refletir os anseios e desejos de professores e pesquisadores constitui-se em outro aspecto relevante, o que ensejará o desenvolvimento de estudo cujo objetivo principal será identificar as características e necessidades desse grupo na busca e recuperação da informação, bem como compreender as práticas educacionais que adotam.

 

 A elaboração de um plano de divulgação intra e extra institucional do RREL contribuirá para divulgar e dar visibilidade a produção científica dos professores.

 

E, por fim, o compartilhamento e a troca de experiências entre as instituições possibilitará a construção coletiva de RREL, proporcionando benefícios tanto para os que diretamente se encontram envolvidos (professores e pesquisadores) quanto para os que se beneficiarão dos resultados (alunos).

 

 

Palavras-chave: Repositórios de recursos educativos. Movimento de Acesso Livre. Política institucional.

 

 

Referências

 

BATES, M. et. al. Rights and rewards in blended institutional repositories project. ALISS Quarterly, London, v.1, n.3, p. 47-51, 2006. Disponível em: <https://dspace.lboro.ac.uk/dspace-jspui/bitstream/2134/2699/1/ALISS-R%26R.pdf>. Acesso em: 18 ago 2011.

 

CARDOSO, E. P. C. Estudos sobre repositórios institucionais e repositórios de recursos educativos: metodologias, resultados e recomendações. Minho, 2009. 90 f. Dissertação (Mestrado em Sistemas de Informação) – Escola de Engenharia. Universidade do Minho, 2009.

MATKIN, G. Learning object repositories: problems and promise. The William and Flora Hewlett Foundation, Menlo Park, CA., 2002. Disponível em:  <http://learn.creativecommons.org/wp-content/uploads/2008/03/learningobject.pdf.> Acesso em: 18 ago 2011.

OPEN E-LEARNING CONTENT OBSERVATORY SERVICES (OLCOS). Open educational practices and resources: OLCOS roadmap 2012.  Disponível em: <http://www.olcos.org/english/roadmap/> Acesso em: 19 mar. 2009.

 

ORGANIZACIÓN PARA LA COOPERACIÓN Y EL DESARROLLO ECONÓMICOS (OECD). Centro para la Investigación e Innovación Educativas. El conocimiento libre y los recursos educativos abiertos. Espanha, 2008.

 

UNESCO. Forum on the Impact of Open Courseware for Higher Education in Developing Countries: Final report. Paris, 2002. Disponível em: http://uab.capes.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6:o-que-e&catid=6:sobre&Itemid=18. Acesso em: 18 nov. 2011.

 


Palavras-chave


Repositórios de recursos educativos; Movimento de Acesso Livre; Política institucional

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